Homicídios crescem 80%, e Minas lidera ranking regional
Estado vai na contramão dos vizinhos do Sudeste, que tiveram queda de até 64,% no índice
Um crime cruel e ainda sem desfecho. É com essas palavras que Bruna
Rocha, 25, define o assassinato de sua irmã, a cabeleireira Renata Rocha
de Araújo, 28, no ano passado, em Belo Horizonte. O homicídio, no
bairro Ouro Preto, na região da Pampulha, ainda não teve conclusão, e o
principal suspeito, o ex-marido da vítima, continua foragido. “A
sensação de insegurança é a que fica, sempre. A vida da minha irmã foi
interrompida, e ainda sentimos a impunidade. Não há segurança”, lamenta
Bruna.
O caso de Renata é reflexo da realidade do país e de Minas, que, em dez
anos, viu o número de homicídios crescer 80,7%. Enquanto em 2001 foram
registrados 2.344 casos, em 2011 foram 4.235. Os dados são do “Mapa da
Violência 2013: Homicídios e Juventude no Brasil”, do Centro Brasileiro
de Estudos Latino-Americanos, e traz comparações entre o período de 2001
e 2011.
No estudo, Minas aparece na contramão da região Sudeste, como o único a
ter aumento no número de crimes. No Rio de Janeiro e em São Paulo,
houve queda de 37,9% e 64,2%, respectivamente. Na região Sudeste como um
todo, o declínio foi de 40,1%.
Quando o assunto é a violência contra jovens, Minas também se destaca
de forma negativa. No período, houve um crescimento de 77,5% no número
de homicídios na faixa etária de 14 a 25 anos. Na média do país, a
violência contra os jovens também subiu. Considerando só os casos de
homicídios, o aumento chega a 326,1%. Em 2011, a população brasileira
entre 14 e 25 anos no país era de 34,5 milhões de pessoas. Entre os
mortos nesta faixa etária, 73,2% dos casos foram de forma violenta.
Com o aumento da criminalidade, Minas iguala alguns de seus índices a
São Paulo e Rio de Janeiro, onde historicamente as ocorrências eram
maiores.
Cidade. Entre as capitais do Sudeste, Belo Horizonte
também é a cidade com o maior crescimento nos homicídios: 21,5%. Já a
taxa de assassinatos na capital mineira passou de 35 por 100 mil
habitantes, em 2001, para 40,3 em 2011 – número superior à média
nacional, de 36,4.
Resposta. O secretário de Estado de Defesa Social de
Minas (Seds), Rômulo Ferraz, foi procurado, mas não quis se pronunciar
sobre o resultado do levantamento. Em nota, a Seds destacou que Minas
“continua com a 22ª posição do ranking nacional de mortes por
homicídios”, “mantendo a sexta melhor taxa de homicídios do país”.
“Apesar do crescimento percentual das taxas de homicídios, Minas ainda
possui a segunda melhor taxa de homicídios, que leva em conta a
densidade populacional, perdendo apenas para São Paulo”, diz o texto.
Guarda
A Prefeitura de Belo Horizonte não quis se pronunciar sobre o aumento
da violência na capital. Por meio de nota, a Secretaria de Segurança
Urbana e Patrimonial informou apenas que a ação de polícia na cidade é
de responsabilidade da Guarda Municipal, que atua de forma restrita.
“Sua finalidade é de garantir segurança aos órgãos, entidades, agentes,
usuários, serviços e ao patrimônio do município, não competindo ao órgão
o trabalho de prevenção criminal.”
Análise
O sociólogo e professor da PUC Minas Moisés Augusto Gonçalves afirma
que o crescimento nos números da violência de Minas demonstra a
necessidade de investimentos em políticas públicas. “Esses dados mostram
uma realidade assustadora”, criticou. Ele defende que a segurança
pública no país seja encarada como uma política de Estado. “Essa é uma
questão que não pode ser tratada como governamental. Não é possível que
as ações mudem a cada novo governo”, disse.
Mundial
O mapa da violência permite uma comparação entre a realidade brasileira
e a de outros países. Com uma taxa de 27,4 homicídios por 100 mil
habitantes e 54,8 por 100 mil jovens, o Brasil ocupa a sétima posição no
conjunto dos 95 países do mundo com dados homogêneos, fornecidos pela
Organização Mundial da Saúde (OMS). O quadro comparativo internacional
já foi bem pior para o Brasil, que, em 1999, ocupava o segundo lugar no
ranking, atrás apenas da Colômbia.
No interior
Minas Gerais possui quatro municípios entre as cem cidades do país com
as maiores taxas de homicídios registradas entre 2001 e 2011. São elas
São Joaquim de Bicas, Aimorés, Esmeraldas e Betim. Já quando o assunto
são homicídios de jovens, o Estado possui nove cidades entre as mais
violentas. Segundo conclusão do Mapa da Violência 2013, o Brasil passa
por um processo de interiorização dos crimes, ou seja, eles estão
concentrados em cidades de menor porte.
Sem registros
Das 5.565 cidades brasileiras, 1.085 (19,5%) não registraram nenhum
homicídio entre os anos de 2009 e 2011. Em geral, elas são de pequeno
porte, com até 63 mil habitantes. Em contrapartida, 15 superaram a marca
dos 100 homicídios por 100 mil habitantes em 2011, sendo seis deles no
Estado de Alagoas. Nenhum está localizado em Minas. Entre as capitais,
Maceió (AL) é a mais violenta do país, tendo registrado aumento de
116,1% em homicídios.
Fonte: O Tempo
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